18
Ago

Sapos

Acabamos sempre por engolir um ou outro de vez em quando… E sabe mal.

03
Ago

Rádio

Cercado pelos sons. Leio, releio. Cumpro os mínimos do meu imposto critério de razoabilidade. Escrevo, leio, releio. Selecciono o RM. Corto, colo, limpo. Uma ferramenta torna o som mais perceptível. Não está bom. Refaço tudo de novo. O telemóvel toca. Não atendo. Tenho de fazer tudo de novo. É tique, mania. O trabalho de edição tem de ser mínimo. Se não minimamente aceitável para entrar no ar, há que tornar a ler, cortar, colar. Voltar à chamada da manhã não respondida. Desligado. Não vale a pena, dou o trabalho por terminado. Entrego-me à, ainda mais do que merecida, desejada pausa…

01
Ago

O Primeiro de Janeiro

Último editorial? Esperemos que não. Que seja, de facto, um “até para a semana”.

31
Jul

No último dia de Julho, o adeus a’O Primeiro de Janeiro

Pode este vir a confirmar-se um dia negro para a imprensa portuguesa. O mais antigo jornal em actividade da cidade do Porto e que marcou de forma muito positiva o início da minha carreira profissional, O Primeiro de Janeiro, pode vir a fechar portas depois de 140 anos de actividade. A notícia foi já avançada por alguns meios e confirmado pelos temores de alguns colegas que lá permanecem. Apesar de se vaticinar há muito o fecho deste jornal, dada a sua débil situação financeira, este mostrou-se sempre resistente às intempéries e, com alguns momentos menos bons, tem sempre resistido. Esperemos que este não seja mais do que outro momento mau desta instituição verdadeiramente portuense e que O Primeiro de Janeiro possa, mais uma ver, resistir de portas abertas.

23
Jul

Aceleras

As autoridades vão apertar o cerco aos aceleras no IP4. Parece que, nos últimos meses, foram mesmo mais de 500 aqueles que ultrapassaram os 200km/h entre Vila Real e Bragança. Primeiro, tiram-nos a liberdade de fumar aonde nos der na real gana, e agora isto! Já não se pode ser idiota neste país? Shame on you!

20
Jul

Ruínas nossas

Recordo os momentos em que, por breves instantes, fantasiámos com um futuro diferente. Fantasiei. Deixaste-te, por momentos, imergir no meu sonho, mas nunca te entregaste verdadeiramente à nossa quimera… Hoje não sei mais de ti. Pergunto-me por onde andarás. Pergunto-me porque deixámos, lenta e gradualmente, apagar a memória desse tempo em que fomos crianças em corpos adultos. Prometemos reencontros, julgámos firmar laços, pactos velados inabaláveis. Mas tudo isso desmoronou como uma casa edificada sobre a areia. De repente, só os escombros do que foi, fragmentos incompletos, me levam de volta ao nosso lugar. Distraidamente, foste-te tornando numa imagem cada vez mais difusa, uma fotografia cujo lugar é cada vez mais incerto…

Antigamente, podíamos conversar até ao nascer do sol. As horas, os minutos, os segundos, não eram nada. O tempo tinha uma velocidade própria, só nossa. Mas, à distância de uma carta, de uma chamada, fomos banalizando as nossas palavras, deixámos de ter o que dizer um ao outro. Os nossos mundos separaram-se, abdicámos das palavras um do outro. Dos silêncios partilhados… Recordo-te com saudade e pergunto-me… Quem serás tu hoje? Também te recordarás de mim quando o sono teima em tardar?

10
Jul

debater a mediocridade

Quando a discussão parte de pressupostos diferentes – do gosto pelo debate à vontade de exibir uma prepotência cacarejante –, esta perde o seu sentido à partida. Digo que não, não discuto, pois nada tenho a aprender, a ganhar, a crescer contigo. A filosofia barata e estereotipada, que cospes com uma banalidade boçal, gera no meu ser não mais do que alguma incredulidade inicial, que se esfuma num resto de desprezo pela mediocridade que escondes por detrás dos cenários da fantasia que foste criando à tua volta. Esse apego ao teu dogma, em abjecto desprezo fingido pelos demais, não é mais do que uma ode à tua fragilidade, um sinal do teu medo pela revelação da tua, afinal de contas, vulgaridade…

10
Jul

pertença, propriedade, domínio, atribuição, acessório

Play… as ideias transportam-me para outro local… uma rua larga, está ligeiramente frio, o casaco sabe-me tão bem, abraça-me! Caminho livremente, uma força que vem dentro não me permite controlar o sorriso nos lábios e dizer mentalmente a cada pessoa que se cruza comigo: Sou livre!

Respeito-te mas não te pertenço!

Estranho este sentimento: propriedade! Apenas num espaço que não é meu, é que sinto que pertenço a outro e aí, o sentimento, existe e fico completa!

O sol envolve-me, continuo a caminhar a agradecer o facto de estar viva! Acredito que vou vencer, apesar de todas as fragilidades tenho-me a mim e ali sou a minha melhor amiga.

Fecho os olhos, toco nos edifícios, respiro fundo e concentro-me nos sons… Quero viver esta experiência com os sentidos da minha vida! O meu coração está compassado com o  universo e finalmente somos um!

29
Jun

Sob as estrelas

Na varanda, quase deitado sob as estrelas, pela primeira vez em muito tempo – pela primeira vez de sempre, talvez – sinto um avassalador sentimento de impotência. Ao olhar aqueles pontos brancos, uma pressão no peito. Inquantificávelmente longínquos, ainda assim visíveis, quase palpáveis. Familiares. E, mesmo com toda a ciência, ser-me-á jamais possível alcançá-los, conhecê-los. Extinguir-nos-emos, provavelmente, como espécie antes disso.

Vou-me extinguir um dia sem ter dado por isso. Sem ter emitido qualquer luz que atravesse o espaço e o tempo. Aqueles pontos deixaram a sua marca. Que marca deixarei eu? Filhos? Amor? Um livro? A memória de um homem de sucesso? Nada disso! Vou passar, tudo o que é meu vai passar, antes que as rochas mudem a sua forma com o tempo…

Abandono a varanda com esta pressão no peito. Só a escrita – só esta escrita – torna o pensamento mais claro. Será? Talvez não… Aquele momento de revelação sob o céu perdeu-se. Fica a breve memória e a cinza. A cinza de uma emoção que não posso desconstruir. Muita cinza…

28
Jun

Conjugação existêncial

Procuro indicações para o que eu sou, questiono-me sobre de onde vim, para onde vou…

Descobri-me na minha própria língua…

O Indicativo do presente simplesmente me responde que “sou”! O Pretérito que é imperfeito, grita que eu “era”. Mas o sentimento de incompletude persegue-me e para que nunca me esqueça da minha condição humana “sou” agora, o que “era” enfim, o que já “fui”, um pretérito que tem a mania que é perfeito! Mas isto não me chega, procuro o mais-que-perfeito e “fora” eu feliz e não sabia? No futuro “serei” novamente!

No condicional eu “seria” feliz, se… A consciência diz-me para seguir o imperativo, tal como se fosse o último dia da minha vida (carpe diem): “sê”. O gerúndio puxa-me pelo braço e diz-me não sejas imediatista, vai “sendo”! P

Prefiro o infinitivo, que de uma forma pessoal ou impessoal obriga-me a “ser”.